Os Papéis de K.» foi a primeira obra de ficção que Manuel António Pina publicou, como explicava o próprio em entrevista ao JL a 23 de julho de 2003: «Trata-se, fundamentalmente, acho eu, de um texto sobre a memória, isto é, sobre tudo. E sobre o tempo. Há um personagem ausente que terá deixado um manuscrito e há alguém que confusamente recorda o que, acerca dele, lhe terá dito uma terceira pessoa, recordando-se também. […] Tinha a história na cabeça há quase 20 anos, desde uma viagem ao Japão, e em especial a Nagasaki, em 1984, durante a qual comecei a interessar-me pelo xintô (o xintô, o kami-no-michi, ou a via dos deuses, é o pano de fundo do livro). Mas não sabia como pegar-lhe. Até que, recentemente, a escrevi quase de um fôlego, em duas ou três noites. Depois reescrevi-a várias vezes. A versão agora publicada é, salvo erro, a 18ª. Sei-o porque, como guardava as versões num CD não regravável, tinha que as ir numerando para o CD as aceitar. É, de facto, a primeira obra de ficção que publico (e, se calhar, a última, embora tenha para aí alguns contos). Mas julgo que não está substancialmente muito longe da poesia que tenho escrito…
Os Papéis de K.
Manuel António Pina
Os Papéis de K.» foi a primeira obra de ficção que Manuel António Pina publicou, como explicava o próprio em entrevista ao JL a 23 de julho de 2003: «Trata-se, fundamentalmente, acho eu, de um texto sobre a memória, isto é, sobre tudo. E sobre o tempo. Há um personagem ausente que terá deixado um manuscrito e há alguém que confusamente recorda o que, acerca dele, lhe terá dito uma terceira pessoa, recordando-se também. […] Tinha a história na cabeça há quase 20 anos, desde uma viagem ao Japão, e em especial a Nagasaki, em 1984, durante a qual comecei a interessar-me pelo xintô (o xintô, o kami-no-michi, ou a via dos deuses, é o pano de fundo do livro). Mas não sabia como pegar-lhe. Até que, recentemente, a escrevi quase de um fôlego, em duas ou três noites. Depois reescrevi-a várias vezes. A versão agora publicada é, salvo erro, a 18ª. Sei-o porque, como guardava as versões num CD não regravável, tinha que as ir numerando para o CD as aceitar. É, de facto, a primeira obra de ficção que publico (e, se calhar, a última, embora tenha para aí alguns contos). Mas julgo que não está substancialmente muito longe da poesia que tenho escrito…
ficçãoASSIRIO E ALVIM / PORTO EDITORA
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